Maconha: implicações antes e durante a gestação

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A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. As mulheres parecem mais sensíveis aos efeitos comportamentais e psicológicos.

Aumento do consumo da maconha entre mulheres

Um estudo da Universidade de Columbia – Nova Iorque, publicado no JAMA em dezembro de 2016, mostra um aumento do número de usuárias de maconha, em grávidas e não grávidas, de 2002 para 2014.

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A população entrevistada foi dividida em 2 grupos etários: 18 a 25 anos, cuja prevalência do uso era muito maior que o outro grupo etário, de 26-44 anos, como demonstra os gráficos de evolução do uso ao longo do período avaliado.

Abaixo, temos uma tabela adaptada do artigo, com dados referentes à frequência de uso, entre gestantes e não gestantes, nos últimos 30 dias e no último ano.

Uso de maconha entre mulheres2002 (15.284 mulheres entrevistadas)2014 (15.318 mulheres entrevistadas)
Último mês, gestantes2,37%3,85%
Último mês, não gestantes6,29%9,27%
Último ano, gestantes8,64%11,63%
Último ano, não gestantes12,37%15,93%

Maconha e gestação

Sabemos que o uso de maconha durante a gestação tem associação com baixo peso ao nascimento, prematuridade e comprometimento do desenvolvimento neurológico, pois levam a alterações na proliferação de células nervosas, na migração neuronal e na formação das sinapses (comunicação entre as células).

Existe a hipótese de que o aumento do uso da maconha esteja relacionado ao efeito secundário ao vício, das substâncias canabinoides, que melhoram as náuseas, muito frequentes no primeiro trimestre.

Os canabinoides bloqueiam a liberação de GnRH pelo hipotálamo e reduzem a produção de LH, hormônio responsável pela ovulação, levando a ciclos anovulatórios. Um estudo correlaciona um atraso na ovulação de até 3,5 dias em pacientes que fazem o uso de maconha de 1 a 3 vezes por mês.

Em tratamentos de Fertilização in vitro (FIV), a maconha reduz o número de óvulos coletados, diminuindo as chances de gravidez.

Muitos dos estudos com os canabinoides são em animais, e estariam relacionados a maior risco de gravidez ectópica e bloqueio do desenvolvimento dos embriões. No entanto, não podemos afirmar que ocorra em humanos, embora exista base molecular que explique esta correlação.

Os efeitos negativos da maconha também afetam os homens, piorando a quantidade e qualidade seminal.

Portanto, pensando em manter também uma boa saúde reprodutiva, é interessante evitar o uso da maconha.

Bibliografia:

  • Do some addictions interfere with fertility?- Alvarez, S, Fertil Steril, 2015. Jan, 103 (1); 22-6
  • Marijuana, the Endocannabinoid System and the Female Reproductive System, Brents LK, Yale Journal of Biology and Medicine, 89 (2016); 175-191
  • Trends in Marijuana use among pregnant and nonpregnant reproductive aged women 2002-14, JAMA, dec, 19, 2016, E1-3
Dra. Larissa

Por Dra. Larissa Matsumoto

Formada pela Faculdade de Medicina da UNICAMP, realizou Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Centro de Atenção Integral à Mulher (CAISM) da UNICAMP. Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela TEGO, concedido pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Atualmente, é pós-graduanda pela Faculdade de Medicina da UNICAMP e médica na Clínica VidaBemVinda.

16 de jan de 2017
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