Endometriose e Infertilidade

É fundamental que a paciente que sofre de endometriose entenda o que é a doença e as estratégias de tratamento. Para isso, vamos primeiro lembrar o que é o endométrio.
Endométrio é a camada mais interna do útero, que reveste internamente a cavidade uterina, onde o embrião se implanta e se desenvolve durante a gestação. Quando não ocorre a gravidez, esse tecido descama e, junto com sangue, forma a menstruação. Assim, é um tecido muito dinâmico, que cresce e descama em todos os ciclos menstruais.
O endométrio pode se implantar e crescer em outros locais além do útero, por diversos mecanismos.
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Ou seja: focos de endométrio funcionante fora do útero.
Os locais mais comuns da endometriose são os órgãos pélvicos e o peritônio, a camada que recobre todos os órgãos abdominais. Mas ela pode acometer outros órgãos distantes, como diafragma, pulmões, pele, cicatrizes, cérebro e até glândulas lacrimais.
Vejamos os locais mais frequentes:
Quando a endometriose acomete a camada muscular do útero (miométrio), chamamos de adenomiose.
Apesar do avanço no conhecimento dessa doença que muito nos instiga, atualmente nenhuma teoria consegue explicar todos os casos de endometriose. Assim, existem diversas teorias.
Uma das principais é a menstruação retrógrada, descrita pelo Dr. John A. Sampson no início do século XX. De acordo com esta teoria, durante a menstruação, ao invés de todo o sangue menstrual sair pelo colo do útero e vagina, uma parte volta e reflui pelas tubas uterinas, caindo na cavidade abdominal. Esse sangue menstrual carrega células endometriais que podem se implantar em toda a cavidade abdominal, formando focos de endométrio fora do útero: a endometriose. Essas pequenas lesões crescem a cada ciclo menstrual, sob a ação hormonal do estradiol (estrogênio) produzido nos ovários. Elas crescem e inflamam, gerando dor. Ao inflamar, essas lesões formam cicatrizes e nódulos endurecidos, além de aderências entre os órgãos, distorcendo a anatomia pélvica.
Vale lembrar que todas as mulheres apresentam algum grau de menstruação retrógrada, mas nem todas têm endometriose. Pelo contrário, apenas uma minoria desenvolve a doença. Assim, existem diversos outros mecanismos envolvidos na gênese da endometriose, como fatores imunológicos, genéticos e ambientais.
Acreditamos atualmente que não existe uma causa única da endometriose, mas sim um conjunto de alterações que culminam com o aparecimento e evolução da doença.
A endometriose pode ser classificada em 3 tipos:
De acordo com a American Society for Reproductive Medicine (ASRM), a endometriose pode ser classificada em 4 estádios, de acordo com o número e localização das lesões:
Esta classificação tem função descritiva e não tem relação com os sintomas e intensidade da dor da paciente.
A endometriose pode causar diversos sintomas, incluindo:
Se você tem algum dos sintomas acima, converse com seu ginecologista. É muito comum vermos mulheres que acham que ter cólicas menstruais é “normal” e acabam postergando um possível diagnóstico de endometriose, piorando a doença.
Para fazer o diagnóstico, a consulta com um ginecologista é fundamental. Durante a avaliação, dados clínicos, sinais e sintomas serão investigados, e deve ser feito um exame abdominal e pélvico, sempre que possível com um toque vaginal. Em alguns casos, o toque retal pode ser importante.
O médico pode complementar a consulta com exames, como:
Assim, a suspeita diagnóstica é sempre clínica, e a confirmação sempre cirúrgica, através da biópsia das lesões. O estudo anátomo-patológico deve evidenciar tecido endometriótico. A laparoscopia permite o diagnóstico e tratamento da endometriose, no mesmo ato cirúrgico.
Ainda não podemos afirmar que existe a cura definitiva para a endometriose. Contudo, existem vários tratamentos eficazes que melhoram a qualidade de vida, reduzem as dores e aumentam a fertilidade das mulheres que sofrem com a doença.
Os sintomas álgicos podem ser aliviados de forma mais rápida com anti-inflamatórios não-hormonais (ibuprofeno, nimesulina, cetoprofeno, naproxeno etc), dipirona, paracetamol e opioides (tramadol, codeína).
Para o controle das lesões, podemos utilizar pílulas anticoncepcionais orais combinadas ou pílulas apenas de progestagênios (ex.: Cerazette®, Allurene®) e análogos do GnRH (Zoladex®, Lupron®, Gonapeptyl®), que são injeções subcutâneas que induzem uma “menopausa medicamentosa”, reduzindo os níveis de estradiol e melhorando os sintomas da endometriose.
O tratamento cirúrgico, através da videolaparoscopia, é atualmente indicada para mulheres que não melhoraram com o tratamento clínico, ou que tem sinais de endometriose profunda com acometimento sintomático de órgãos como bexiga e intestino. Além disso, muitas pacientes com endometriose estão tentando engravidar e usar pílula anticoncepcional não é interessante, e a cirurgia pode ser uma boa opção.
Vale lembrar que a própria gestação é um tratamento para a endometriose. Por isso, as técnicas de reprodução assistida podem ser um tratamento indireto da endometriose, cursando com a gravidez.
Sem dúvida. Muitas mulheres com endometriose engravidam espontaneamente, mas a endometriose é cerca de 5 vezes mais frequente na população que tem dificuldades para engravidar. Isso mostra que a doença pode causar diversos fatores de infertilidade:
Se você tem endometriose e está tentando engravidar, vale a pena conversar com o ginecologista sobre as opções terapêuticas. Muitas vezes as técnicas de Reprodução Assistida, como a Fertilização in vitro e a Inseminação Artificial, são as melhores alternativas. Em outros casos, a cirurgia para ressecção dos focos de endometriose pode ser a opção mais inteligente e eficaz.
Quando falamos em endometriose e infertilidade, não existe uma regra absoluta: cada caso deve ser avaliado detalhadamente, sempre levando em consideração os sintomas da paciente, a idade materna, a reserva ovariana, qualidade do sêmen do parceiro, permeabilidade tubária, entre outros. E por isso o ideal é que esta avaliação seja feita por um profissional que esteja habituado não só com a endometriose, mas também com os tratamentos de Reprodução Humana.
Para a maioria das mulheres, sim! Isso ocorre porque os ovários param de produzir o estradiol após a menopausa, sendo este o hormônio responsável pelo crescimento das lesões de endometriose.
Mulheres que fazem terapia hormonal após a menopausa podem ter sintomas de endometriose, e é importante conversar com o ginecologista sobre os tratamentos, caso a caso.
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