Infertilidade Secundária: Entenda Como Identificar e Quais Podem Ser os Tratamentos
A infertilidade secundária ocorre quando há dificuldade para engravidar após uma gestação anterior. Neste artigo, você vai entender como...
Chegou o Outubro Rosa! Pacientes, médicos de várias especialidades, familiares, amigos e até crianças se conscientizam acerca da importância da prevenção do Câncer de Mama.
Para todos nós, ginecologistas, o rastreamento já faz parte da nossa rotina. Identificar as pacientes de alto risco também já deve estar no dia-a-dia da nossa anamnese.
E neste mês, pensamos não só na prevenção, mas também se o que estamos fazendo hoje pode aumentar o risco de câncer de mama nas nossas pacientes.
Nós que trabalhamos com Reprodução Assistida utilizamos rotineiramente gonadotrofinas exógenas para obtermos um bom desenvolvimento folicular, o que, na maioria das vezes, induz uma esteroidogênese acentuada, com níveis de estradiol suprafisiológicos, chegando a mais de 2.000 pg/mL.
Será que isso aumenta o risco de tumores hormônio-dependentes, como o carcinoma de mama?
Essa é uma dúvida frequente também das nossas pacientes. Ontem mesmo atendi uma jovem de 34 anos com interesse de congelar óvulos e que veio com a mãe no retorno: ela estava preocupada com a “carga hormonal” que a filha receberia e se aquilo aumentaria o risco de câncer de mama. O Outubro Rosa certamente fez esta mãe lembrar desse tumor que pode crescer com hormônios. Isso está enraizado na mente da população feminina, especialmente com a enxurrada de matérias e capas de revistas no começo do século XXI, especialmente em 2002, quando os resultados iniciais do WHI selaram o conceito (que depois foi melhor compreendido como incorreto) de que “reposição hormonal causa câncer de mama”. Causar é diferente de promover o crescimento.
Sim, a reposição hormonal pode aumentar o câncer de mama já instalado, mas não há sentido biológico no conceito da causalidade, já que o câncer deriva de uma mutação genética e esta mutação se inicia numa célula tronco indiferenciada na mama. Esta célula tem que se diferenciar em célula adulta, sendo que as células mamárias não têm a capacidade de responder a hormônios antes de se tornarem células adultas. O câncer já começou antes! Assim, não faz sentido biológico argumentar que estrogênios causam câncer de mama, mas eles podem sim influenciar a taxa de crescimento desde que o tumor apareça. Essa é a opinião do Prof. Leon Speroff. (pequena digressão!)
Vamos à evidência moderna: o estudo de coorte publicado no JAMA em 2016 (Ovarian Stimulation for In Vitro Fertilization and Long-term Risk of Breast Cancer) seguiu por um longo tempo (follow up de 21 anos) 25.108 mulheres submetidas a tratamentos para infertilidade, sendo 19.158 mulheres submetidas a FIV e 5.920 mulheres submetidas a outros tratamentos de reprodução humana.
O risco de câncer de mama do grupo FIV não foi diferente da população geral ou dos grupos submetidos a outros tratamentos (ex.: inseminação intrauterina). A incidência cumulativa de câncer de mama aos 55 anos foi de 3% no grupo FIV x 2,9% no grupo não-FIV (p=0,85). Mesmo as pacientes que fizeram várias FIV (7 ou mais) não tiveram aumento do risco em relação aos outros grupos.
Apesar de ser importante o controle dos resultados nos próximos anos, a segurança da FIV em relação ao risco de câncer de mama fica evidente neste grande estudo bem desenhado e muito bem executado. Hoje, estamos certos de que oferecemos um tratamento rápido e seguro, sem aumentar o risco de câncer de mama para nossas pacientes.

Por Dr. Renato Bussadori Tomioka
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