Infertilidade Secundária: Entenda Como Identificar e Quais Podem Ser os Tratamentos
A infertilidade secundária ocorre quando há dificuldade para engravidar após uma gestação anterior. Neste artigo, você vai entender como...
A habilidade de conceber uma criança parece ser um direito garantido a todas as mulheres — é uma função natural do seu corpo e uma constante na evolução do ser humano. Mas e quando isso não acontece, mesmo depois de inúmeras tentativas? Nesse caso, o ideal é procurar ajuda médica e identificar a raiz do problema, que, muitas vezes, é a endometriose.
Uma em cada dez brasileiras é acometida por essa doença, que pode causar infertilidade. Neste artigo, você saberá quais são os sintomas da endometriose e como deve tratá-la para poder realizar o desejo de ser mãe.
As mulheres estão sujeitas a desenvolver a endometriose durante todo o seu período reprodutivo, desde a primeira menstruação até a menopausa. Na realidade, existem casos descritos de endometriose em meninas muito jovens e até recém-nascidas, bem como em mulheres na pós-menopausa, o que evidencia a complexidade da doença. A endometriose é uma doença crônica que possui quatro graus de acometimento (estádios): mínima (nível I), leve (nível II), moderada (nível III) e grave (nível IV).
A endometriose é a presença de endométrio — tecido que reveste a parte interna do útero e é expelido através da menstruação — em outros órgãos fora da cavidade uterina, como tubas uterinas, ovários, intestino, bexiga etc. Alguns dos fatores que aumentam as chances de a mulher manifestar a doença são herança genética, alterações na imunidade, mulheres que nunca engravidaram, mulheres que nunca usaram pílulas anticoncepcionais, menarca (primeira menstruação na vida) precoce, entre outros.
É preciso ficar atenta. Se, durante o ciclo menstrual, você tem cólicas intensas, retenção de líquido, inchaço, dificuldade, sangramento ou dor para urinar e evacuar, sente dor na relação sexual (penetração profunda) e desconfortos abdominais, então procure o seu ginecologista.
O diagnóstico é realizado por meio de uma anamnese completa, exames de sangue, ressonância magnética pélvica e ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal.
Existem duas razões que ligam diretamente a endometriose com a infertilidade. A primeira é a alteração peritoneal e tubária, podendo comprometer a anatomia e função das tubas uterinas, o que dificulta a fecundação no seu interior, além de alterar o transporte do embrião ao útero. Outra razão é a inflamação pélvica que a doença causa, provavelmente reduzindo a qualidade do óvulo e do endométrio dentro do útero, o que diminui a taxa de implantação embrionária.
A dificuldade de engravidar ainda sofre os efeitos da gravidade da endometriose e da idade. Acima dos 35 anos, aumenta o risco de aneuplodias (alterações genéticas, como Sd. Down), o que diminui a taxa de gravidez e aumenta o risco de abortamento.
Sim, e o Brasil é referência internacional no assunto. Dependendo do grau da doença, a paciente pode fazer uso de medicamentos específicos, dispositivo intrauterino com liberação hormonal (Mirena) ou realizar uma videolaparoscopia, procedimento cirúrgico que permite o tratamento completo na maioria das vezes.
Após essa cirurgia, a gravidez pode acontecer, tanto por métodos tradicionais como por fertilização in vitro. Um exemplo disso é o da atriz Fernanda Machado, que conseguiu engravidar do seu primeiro filho, no começo de 2015, quando já estava com 34 anos. Atualmente, Lucca Machado Riskin tem dez meses e é presença constante nas redes sociais da mamãe.
Apesar de ser uma doença crônica, os tratamentos da endometriose podem proporcionar melhor qualidade de vida para a paciente, inclusive aquela que quer ser mãe. Se você também se encaixa nessa lista, siga as dicas deste post para reconhecer os sintomas da endometriose e fazer o diagnóstico o quanto antes!

Por Dr. Renato Bussadori Tomioka
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