20 de ago de 2015

A presença do vírus do HPV no sêmen: desafios e a busca por uma solução

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Clinical and prognostic significance of human papillomavirus DNA in the sperm or exfoliated cells of infertile patients and subjects with risk factors.


Association, prevalence, and clearance of human papillomavirus and antisperm antibodies in infected semen samples from infertile patients.

Foresta C1, Pizzol D, Moretti A, Barzon L, Palù G, Garolla A.

Mundialmente, estimam-se 32 milhões de novos casos de verrugas genitais por ano. Desse total, por volta de 1,9 milhão de casos ocorre no Brasil, sendo cerca de 90% associados aos tipos 6 e 11 do HPV. Verrugas genitais estão entre as dez principais causas de procura por serviços de saúde no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Prof. Dr. Carlo Foresta, italiano da universidade de Padova, é o maior estudioso da presença e das consequências do vírus do HPV no sêmen humano. O vírus do papiloma humano é extensamente estudado, e sua infecção comum no mundo todo, mas a atual incidência e seu significado quando presente no esperma ainda é pouco compreendida.

Os estudos de Carlo Foresta se iniciaram com a investigação da presença de HPV (por PCR) no liquido seminal de pacientes estocados preventivamente durante tratamento oncológico. Destes 98 pacientes estudados, em 2010, 6,1% apresentavam DNA viral em suas amostras congeladas.

Nesta época, pouco se sabia se a presença do HPV no líquido seminal poderia impactar negativamente os resultados da reprodução assistida futura, mas ja se preconizava o estudo da presença do vírus em doadores de sêmen.

Os estudos seguintes do Prof. Carlo demonstraram que indivíduos portadores de verrugas genitais apresentavam em 53.8% seus espermatozóides infectados pelo HPV, e os pacientes inférteis tambem apresentavam taxas de contaminação mais altas que os férteis (infertile patients, 10.2% versus fertile controls, 2.2%), chamando a atenção para o mundo de provável efeito negativo do vírus quando presente nos espermatozóides, principalmente na motilidade seminal.

Outros estudos interessantes de Carlo revelaram a presença 7x maior do vírus no semen em homens que apresentavam vida sexual sem preservativo, quando comparados com grupo usuario de camisinha (21% versus 3%).

O alarmante desta história toda é que os próximos trabalhos do laboratório de andrologia de Padova revelarão que os resultados das técnicas de reprodução assistida (FIV/ ICSI) são piores quando os espermatozóides estão infectados pelo vírus e o grande desafio é que os protocolos de sperm wash para se tentar eliminar o vírus (os mesmo utilizados com sucesso para se eliminar o HIV e os vírus da hepatite B e C no esperma), não são completamente eficazes no caso do HPV.

Ou seja, já sabemos dos efeitos negativos de sua presença nos espermatozóides, mas não temos tecnologia atual para eliminá-lo. Portanto, nos resta lutar pela permanente conscientização da importância do uso do preservativo.

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